Quanto custa correr? Veja o valor que sai do bolso de quem leva a corrida a sério

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Ana Virginia caiu em uma das maiores laranjadas no mundo da corrida: ‘para correr, só precisa de um tênis’. Não, não é apenas um calçado e a vontade de dar aquele trote. Se a intenção é fazer isso de forma esporádica, pode até conseguir. Contudo, se o bichinho da corrida te picar e a prática se tornar um hábito na sua vida, é bom coçar o bolso, pois não é tão simples como parece. Afinal, quanto custa correr? “Achei mesmo que seria apenas um tênis e um sonho. Aí, a realidade: óculos ‘baixa pace’, Garmin, tênis para ajudar no desempenho, assessoria esportiva, inscrições de corridas, roupa de compressão…”, lembra Ana Virgínia, de 40 anos, há dois praticando corrida. Para quem achava que bastava um calçado meeiro, Virgínia já desembolsou quase R$ 800 num único tênis, o Asics Novablast 4. Estava na promoção. Por ano, ela compra geralmente dois tênis, o que é o ideal para quem pratica o esporte. Pense que o tênis é o pneu do seu carro. Quanto mais se usa, fica mais careca e menos seguro. Aí, é preciso comprar mais. E mais, e mais… Fora o tênis, que ela tem alguns mais em conta, como três da linha Corre, da Olympikus (em torno de R$ 400), Ana ainda paga R$ 200, todo mês, para ter uma assessoria, o tradicional Clube de Corrida. Ainda tem os gastos anuais com bermuda e top de compressão, mais confortável para correr (evita assaduras também), inscrições em corridas de rua… “Quem ler isso vai achar que eu sou rica. Posso dizer que é um investimento bom, mais ou menos R$ 3,5 mil, por ano”, completa. Alguns itens que fazem parte da ‘skin’ de um corredor virou inclusive alvo de bandidos na capital. O nome é pouco conhecido entre os leigos: Garmin. É um relógio inteligente de precisão para o corredor e custa entre R$ 1.100 e R$ 8 mil. Em Salvador, alguns corredores estavam sendo assaltados na orla e o alvo era justamente o Garmin, que só enche os olhos dos corredores e navegadores marítimos. É, sem dúvida, a peça mais cara que um corredor almeja e não tem uma loja específica. Só é possível comprar um novo pela internet ou importando. O corredor Matheus Andrade também começou crendo que não teria tanto gasto na corrida. Apesar de amador, ele tem alta performance e já correu até a Maratona do Rio. Isso exige outros investimentos. “Sim, pensei e realmente é um esporte muito acessível, mas ao longo dos meus primeiros meses, comecei a enxergar pequenas necessidades que geralmente não são expostas”, explica. Empolgado, Matheus consumia quase tudo direcionado ao corredor, principalmente nas provas de corrida, o que é uma tentação para qualquer atleta de rua. A média do valor da inscrição para uma corrida gira entre R$ 90 e R$ 250. Este ano, estão programadas 16 competições de rua até dezembro, somente em Salvador. A próxima será a 21k SSA, que atualmente custa R$ 179, para quem for fazer meia-maratona. A prova ocorrerá no próximo dia 27 de abril. “No meu começo, costumava me inscrever para todas as provas que meu bolso permitia, acho que é o ‘cartão de visita’ pra quem tá começando no esporte. Atualmente corro em média seis provas por ano, com o custo médio de R$ 120 cada uma (R$ 720/ano)”, completa. O investimento também requer cuidados e acompanhamentos, que vão de um suporte técnico sobre a arte de correr, fortalecimento muscular em academia e o cuidado com a saúde. “É um investimento na sua saúde, mas precisa de cuidados. É importante investir em profissionais especializados para quem busca metas, como aumentar seu pace (velocidade), diminuir tempo e aumentar distâncias. Até para quem só quer saúde física, precisa fazer avaliações para não correr riscos, como lesões e problemas cardiovasculares”, recomenda a médica Nathália Figueirêdo, especialista em Medicina Esportiva e Emagrecimento. Profissional de educação física e sócio de um clube de corrida, Saulo Mattos explica a importância do acompanhamento, principalmente para quem quer correr em grupo, numa assessoria de corrida. “Se você quiser treinar bem, hoje você acaba tendo diversos tipos de incentivos. Mas eu digo que não é gasto, mas investimento. Para um amador que quer permanecer fitness correndo com um tênis qualquer, infelizmente ele vai correr alguns riscos porque a corrida é uma atividade de alto impacto, certo? E são estes tipos de cuidados, entre muitos outros, independentemente se a meta seja alta performance ou apenas qualidade de vida, que as assessorias vão auxiliar profissionalmente. O que tomar antes, durante e depois das corridas? Como correr? Tudo isso orientamos”, diz. Calma. Se você está pensando em desistir da corrida pela complexidade orçamentária, tem alguns aspectos que valem a pena. Para Matheus, a corrida, apesar de fazer ele coçar o bolso, dá muita coisa em troca. “Velho, é o esporte que faz parte da minha vida, melhorou minha disposição no trabalho, melhorou meu sono, também me sinto mais feliz, principalmente após alcançar metas dentro da corrida. Sem contar que, na assessoria esportiva, corro com pessoas com o mesmo hobby, faço amizades. No final das contas, vale muito a pena”. Lembra da Ana Virginia? Ela nem cogita largar a corrida, que deixou de ser apenas um hobby recente. “Não é romantizar ou gourmetizar a corrida, mas mudou minha vida. A corrida tornou-se um hábito. E este hábito me tirou dos 123 quilos para 93 quilos. Acabei de me pesar. Farei meus primeiros 10km em breve. Acordo 3h30 da manhã aos sábados para correr, algo impensável antes. Mudei minha alimentação, me cuido. Repito: vale muito a pena, cada centavo”, completa Ana. Não é só um tênis, mas é um gasto que faz bem.

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